Resumo:
As briófitas, segundo maior grupo de plantas terrestres, represetam três divisões do Reino
Plantae: Bryophyta, Marchantiophyta e Anthocerotophyta. Toleram condições ambientais
extremas, apresentam distribuição geográfica ampla, contribuem através das mais diversas
funções ecológicas que desempenham e também tributam para fins econômicos, industriais e
atuam como bioindicadores ambientais e usos medicinais. Por ser tamanho pequeno
geralmente não aparecem em inventários florísticos e, raramente, são consideradas nos planos
de manejo das Unidades de Conservação (UC). No estado do Rio Grande do Sul, os registros
mais antigos de coletas foram de Lindman, Saint-Hilaire e Sellow. Posteriormente destaquese para Senhem, que publicou diversas famílias de musgos na série intitulada Musgos Sulbrasileiros. Ademais, estudos recentes vêm sendo desenvolvidos especialmente no Litoral
Norte do estado. Nesta esteira, como importante contribuinte de conservação e proteção das
espécies principalmente da flora, as UCs têm papel importante na manutenção dos
ecossistemas, especialmente os mais frágeis. Desta maneira, o Parque Estadual do Tainhas
(PE Tainhas), UC de proteção integral, está totalmente inserido no Bioma Mata Atlântica e foi
criado através do Decreto Estadual n° 23.798, de 12 de março de 1975. Abrange território dos
municípios de São Francisco de Paula, Jaquirana e Cambará do Sul, região nordeste do Estado
do Rio Grande do Sul (RS) e ocupa 9,93% do território do Geoparque Mundial da Unesco
Caminhos dos Cânions do Sul. Apesar de serem o segundo maior grupo de plantas terrestres,
apenas um gênero de briófita está citada no Plano de Manejo do PE Tainhas: Sphagnum sp. O
objetivo desta pesquisa foi conhecer as espécies que compõem a brioflora desta UC, bem
como a distribuição das mesmas nas fitofisionomias que formam o PE Tainhas (área úmida de
banhado, mata ciliar, mata insular, campo de altitude e afloramento rochoso), a ocorrência nos
diferentes substratos, bem como a distribuição geográfica das espécies nos biomas brasileiros.
A coleta das amostras ocorreu entre janeiro de 2022 e agosto de 2023, através do
caminhamento. As amostras coletadas ocorreram nos diferentes substratos naturais,
disponíveis nas fitofisionomias existentes no PE Tainhas. Foram identificadas 195 espécies,
em 102 gêneros e 61 famílias. As espécies estão distribuídas em 111 spp. de musgos, 80 spp.
de hepáticas e 4 spp. de antóceros. Outrossim, identificou-se 27 novas ocorrências, sendo uma
nova espécie para a ciência, uma nova citação para o Brasil, 25 novas ocorrências para o
Estado do Rio Grande do Sul, sendo 2 spp. como novas ocorrências para o bioma Mata
Atlântica. Referente ao grupo briocenológico, predominante foi corticícola com (93 spp.),
seguido por terrícola (58 spp.), rupícola (30 spp.), epíxila (9 spp.) e epífila (5 spp.). A riqueza
de espécies está distribuída nessas fitofisionomias: matas ciliares (166 espécies, 4 antóceros,
89 musgos e 73 hepáticas); mata insular (20, 13 musgos e 7 hepáticas); afloramento rochoso
(3, 3 musgos) e área úmida de banhado (6, 6 musgos). A composição florística encontrada nas
fitofisionomias apresenta-se de forma heterogênea, na qual cerca de 72,5% das espécies são
exclusivas de uma única fitofisionomia, sendoa área de mata ciliar, com o maior número de
espécies exclusivas (173), que corresponde a 61,7% das espécies nesta fitofisionomia.
Ademais, mata insular (12 spp.); afloramento rochoso (2 spp.) e área úmida de banhado (4
spp). Uma espécie (Schlotheimia appressifolia Mitt.) consta na lista de espécies ameaçadas de
extinção do Rio Grande do Sul na categoria vulnerável (VU). O presente trabalho apresenta
dados que ampliam o conhecimento da brioflora em várias escalas e corroboram com dados
acerca da extrema importância biológica do território de abrangência do PE Tainhas. Estes
dados também contribuirão para a futura revisão do plano de manejo do PE Tainhas,
auxiliando ainda nas atividades de educação e interpretação ambiental desenvolvidas no PE
Tainhas, com vistas à valorização da sua biodiversidade, através do desenvolvimento de
atividades práticas realizadas em campo denominada “caça as briófitas”. Outrossim, o guia de
campo da brioflora do Parque Estadual do Tainhas servirá como ferramenta de apoio para
ampliar o conhecimento e identificação das espécies mais visíveis de ocorrências nesta UC.