| dc.description.abstract |
A presente pesquisa investiga os conhecimentos e processos formativos de músicos
em bandas de rock, com foco específico na trajetória da banda Maria do Relento,
consolidada no cenário gaúcho desde 1994. O objetivo principal foi desvendar como
o aprendizado musical se desenvolve em contextos informais e colaborativos,
identificando o conhecimento acumulado pelos integrantes, compreendendo as
dinâmicas de desenvolvimento em práticas coletivas e mapeando as influências
sociais, culturais e individuais. Adotou-se uma abordagem qualitativa, por meio de um
estudo de caso, utilizando formulários autoadministrados para coletar narrativas dos
músicos. A análise empregou os elementos narrativos de Cândida Vilares Gancho e
foi balizada por um referencial teórico que incluiu a Teoria do Significado Musical de
Lucy Green, abordando os conceitos de significados inerentes e delineados, e as
reflexões da Escola de Frankfurt, com destaque para a crítica de Theodor W. Adorno
sobre o fetichismo musical e a regressão da audição. Os resultados revelam que o
aprendizado musical dos integrantes da banda Maria do Relento foi
predominantemente informal e autodidata. O contato inicial com a música ocorreu de
forma lúdica e pessoal, evoluindo por meio de experiências em diversas bandas e da
prática coletiva intensa, que se mostrou um motor essencial para o aprimoramento
técnico e criativo. A longevidade da banda é atribuída à sua capacidade de adaptação
às transformações do ambiente musical, desde a era analógica até o advento das
plataformas digitais e o "imediatismo" cultural. Observou-se uma cuidadosa gestão
dos significados delineados de sua música, ajustando temas e posturas para manter
a "celebração" com o público e evitar polarizações, refletindo a dialética entre a
essência artística e as demandas sociais. Os músicos se percebem como
protagonistas de suas histórias, destacando paixão, persistência, resiliência e a
colaboração como pilares de suas jornadas. Em conclusão, a pesquisa valida a
eficácia do aprendizado informal e autodidata na formação de músicos populares e
evidencia como a banda Maria do Relento navegou pelas complexas interações entre
os significados musicais inerentes e delineados para sustentar sua relevância. A
trajetória da banda exemplifica a resistência à padronização imposta pela indústria
cultural, conforme a crítica adorniana, e reforça a importância de ambientes que
promovam a criatividade e a resiliência. Embora limitado a um estudo de caso, este
trabalho contribui para a sociologia da educação musical, sugerindo a valorização
10
das práticas informais e abrindo caminhos para futuras investigações sobre a
aplicabilidade desses modelos em contextos formais e a dinâmica de outras bandas. |
|