Partindo do princípio de que a Saúde Indígena está profundamente ligada à preservação ambiental e às práticas culturais tradicionais que moldam o bem-estar coletivo, procurou-se entender esta situação em comunidades gaúchas. Esses povos dependem diretamente dos recursos naturais — como rios, florestas e plantas medicinais — para alimentação, tratamentos terapêuticos e rituais de cura. A expansão agrícola, o uso intensivo de agrotóxicos e o desmatamento têm impactado negativamente esses territórios, prejudicando a qualidade da água e a disponibilidade de espécies nativas fundamentais. A perda ambiental também afeta o equilíbrio espiritual, parte essencial da concepção indígena de saúde e a dificuldade de acesso a serviços públicos adequados limita diagnósticos precoces e ações de prevenção. Seguindo a proposta de Ecossanitarismo, neste estudo visitou-se várias comunidades indígenas da etnia Mbyá Guarani para rodas de conversa sobre Saúde e Saneamento. Os territórios são demarcados ou estão em retomadas. Observou-se que as condições territoriais influenciam diretamente o acesso aos recursos naturais, à infraestrutura básica e à continuidade das práticas culturais. As propostas preliminares de mitigação destacam-se o fortalecimento da proteção e regularização territorial, a implementação de ações de saneamento básico, o monitoramento ambiental participativo, o apoio à agricultura sustentável e o aprimoramento da atenção à saúde indígena, articulando saberes tradicionais e políticas públicas. Conclui-se que promover saúde nas comunidades indígenas gaúchas requer integrar saberes tradicionais com políticas públicas ambientalmente sustentáveis. A proteção territorial, a educação ambiental e a valorização das práticas culturais são pilares para reduzir vulnerabilidades e fortalecer a autonomia comunitária. Assim, saúde e meio ambiente se apresentam de forma indivisível, refletindo a cosmovisão indígena e a necessidade de ações intersetoriais.