Esta investigação é desdobramento do processo prático de criação da cena teatral
denominada ‘Entre dois mundos’. A cena foi construída a partir do estudo das ações
físicas e da transposição de atividades cotidianas em partitura cênica, abordando como
tema a conciliação entre maternidade e a vida artística, a partir de uma perspectiva
autobiográfica. O trabalho tem como objetivo debater sobre os desafios emocionais,
sociais e estruturais que atravessam a vida de muitas mulheres-mães no campo do teatro
e do mercado de trabalho, marcado pela precarização, ausência de políticas públicas e
horários irregulares. O estudo abarca contribuições de Konstantin Stanislavski e seu
conceito de ação física e dialoga com autoras como Mariela Lambert de Abreu, Thais
Vilarinho e outras artistas que discutem maternidade e criação, bem como estudos
neurocientíficos sobre transformações emocionais e cognitivas do período gestacional e
pós-parto. A metodologia é feita através de registros pessoais, criação de sequências de
ação e improvisações que contribuem para a composição dramatúrgica. A experiência
cênica endossa como a maternidade pode se tornar potência criativa, ampliando a
presença cênica, sensibilidade e entrega emocional, reconhecendo possibilidades
renovadas de conciliação entre a força da criação cênica e o papel transformador da
maternidade no percurso da atriz.