Resumo:
Esta dissertação se propõe a compreender de que forma um jogo digital, criado com base em elementos reais de um território protegido, pode contribuir para despertar a consciência ambiental de estudantes do ensino fundamental. O jogo, intitulado Jornada Aratinga, foi desenvolvido com inspiração na paisagem, biodiversidade e história da Estação Ecológica Estadual Aratinga, Rio Grande do Sul (RS), e convida os jogadores a embarcar em uma trilha interativa ao lado da personagem Laura, uma jovem pesquisadora. Dividido em cinco fases, o jogo percorre campos nativos, trilhas antigas e regiões de mata, reproduzindo diferentes fitofisionomias da Unidade de Conservação (UC) e promovendo o contato simbólico e afetivo com o ambiente natural. O público participante da pesquisa foi turmas de uma escola pública localizada no entorno da unidade de conservação. Por meio de uma abordagem qualitativa, foram coletados dados a partir de observações, registros, grupos focais e relatos dos estudantes antes e depois da vivência com o jogo. A análise indica indícios de uma complexificação na compreensão de conceitos ambientais, como a importância da biodiversidade local, a função ecológica da UC e a relação entre conservação e qualidade de vida. Mais do que conteúdos, o jogo sensibilizou os estudantes para atitudes de cuidado com a natureza, despertou o sentimento de pertencimento ao território e favoreceu a construção de valores éticos e socioambientais, como empatia, respeito à vida e responsabilidade coletiva, afastando um pouco do olhar antropocentrista e utilitarista que os jovens tinham sobre as Unidades de Conservação. Ao conferir aos estudantes o papel de protagonistas e agentes de preservação de seu próprio território, a proposta pedagógica estimula o sentido de pertencimento e a responsabilidade socioambiental, a Jornada Aratinga mostrou-se uma estratégia com potencial para atividades de educação ambiental. Através da linguagem lúdica e da interatividade dos jogos digitais, foi possível criar um espaço de escuta e aprendizado, onde o saber emerge do brincar, e o brincar se transforma em consciência. Assim, a pesquisa reafirma a importância das tecnologias digitais como aliada na formação de pessoas sensíveis, críticas e comprometidas com a conservação da natureza que as cerca.