Resumo:
Este trabalho se apresenta como uma alternativa à colonialidade. É um estudo
qualitativo que buscou constituir ações pedagógicas decoloniais pautadas
teoricamente na interculturalidade crítica (Walsh, 2009) e na sociologia das ausências
e das emergências (Santos, 2021), e, metodologicamente, na investigação-ação participativa (Fals Borda, 2012) e no corazonar (Arias, 2010), aliadas à pedagogia da
autonomia e do oprimido (Freire, 2021a; 2021b). Seu principal intuito foi desenvolver
uma análise crítica e propositiva que questione e desnaturalize a colonialidade do
poder/saber presente no cotidiano escolar ao mesmo tempo em que favoreça a
(re)construção de uma práxis de educação intercultural crítica no âmbito do processo
de ensino-aprendizagem das artes literárias negras e indígenas no contexto dos anos
finais do Ensino Fundamental (EF) no município de São Francisco de Paula/RS, para
tanto, especificamente, objetivou-se o seguinte: a) resgatar e ressignificar as histórias
ausentes indígenas e negras no município de São Francisco de Paula/RS; b) analisar
materiais didáticos (coleção Tecendo Linguagens) no que diz respeito à
subalternização e inferiorização das matrizes étnico-raciais no ensino e fruição das
artes literárias; c) desenvolver dispositivos pedagógicos que ressignifiquem o
processo de ensino-aprendizagem das relações étnico-raciais das artes literárias
indígenas e negras numa perspectiva da interculturalidade crítica; e, d) construir uma
práxis escolar cotidiana que tenha a interculturalidade crítica, alicerçada nas
pedagogias decoloniais, a fim de proporcionar e instigar a compreensão das
realidades plurais que coexistem no universo. Após a análise voltada aos textos
literários presentes nos livros da coleção Tecendo Linguagens (Oliveira; Araujo,
2018a; 2018b; 2018c; 2018d), observou-se que a predominância do perfil das autorias
é reservada a autores, em sua maioria, brancos, o que denota um apagamento de
autoras e autores(as) indígenas e negros. A partir disso, construíram-se 9 oficinas que
foram realizadas com uma turma de 8º ano do Ensino Fundamental da Escola
Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Presidente Castelo Branco, em
São Francisco de Paula/RS. As oficinas realizadas constituem dispositivos
pedagógicos, os quais foram direcionados ao estudo dos saberes, memórias e
histórias, principalmente indígenas e negros do município de são Francisco de Paula
e dos arredores. As ações realizadas permitiram nossas reflexões e produções acerca
de saberes da região, saberes indígenas e negros, possibilitando, também, a partir da
literatura, nossas interações com tais conhecimentos. Essas ações pedagógicas
decoloniais e sentipensantes nos permitiram experiências enriquecedoras em sala e
além dela, valorizando os saberes de nossos interlocutores. Como produtos,
apresenta-se, com esta dissertação, um material didático resultante da metodologia
utilizada, dois produtos de comunicação, um perfil no Instagram e um site, um evento
organizado e um e-book.