Este trabalho propõe a criação artesanal de máscaras como um gesto poético e crítico que tensiona a nossa relação com a inteligência artificial. Partindo de uma investigação centrada no corpo, que nasce de um fazer manual, o projeto contrapõe a materialidade orgânica das máscaras à impessoalidade do algoritmo. Através deste processo de criação, que articula o pensamento por meio das mãos, as máscaras, produzidas em materiais diversos, somadas ainda a fotoperformances, emergem não como objetos inertes, mas como entidades dotadas de voz: uma voz que interroga, que narra e que desvela o mundo. Elas fabulam sobre um presente marcado pela repetição de “fins do mundo” — contextualizadas pela crise climática —, propondo-se como ferramentas de fabulação que abrem tanto rotas de fuga quanto caminhos de convergência. Este processo poético articula-se a uma proposta de mediação educativa e artística, portanto, não tem a intenção de sentir ou falar no sentido convencional, mas de escutar o que as máscaras — e, por extensão, nosso tempo — têm a dizer. Quem conversa com estes objetos é a própria inteligência artificial, que em uma fabulação poética é convidada a sonhar com o presente, o passado e o futuro.