Resumo:
Esta monografia explorou as percepções dos pecuaristas familiares do Bioma Pampa, na Zona Costeira do Rio Grande do Sul, frente aos impactos das mudanças climáticas e suas implicações na atividade da produção pecuária. A região abriga os "Campos Litorâneos" (Formações Pioneiras) do Pampa, onde a pecuária extensiva é crucial para a preservação da biodiversidade, mas sofre forte pressão do avanço urbano e das monoculturas. O estudo adotou um delineamento de pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e interpretativa. A coleta de dados primários ocorreu entre maio e julho de 2025, por meio de um formulário eletrônico (Google Forms) contendo um roteiro de questões semiestruturadas, aplicado a 20 pecuaristas familiares selecionados por amostragem intencional. A análise dos dados utilizou uma abordagem mista, combinando a análise estatística descritiva (para quantificar frequência de respostas) e a análise de conteúdo na modalidade temática, para interpretar os núcleos de sentido. A pesquisa revelou que os produtores percebem as alterações nos padrões climáticos como um fator real e presente, que já causa prejuízos econômicos, sobretudo em decorrência da intensificação de eventos extremos, destacando-se as secas. Essa percepção unânime entre os entrevistados configura uma ameaça constante à sustentabilidade da pecuária familiar, a qual é reforçada pelo aumento dos problemas sanitários do rebanho, bem como pelos impactos ambientais, como o aumento de espécies exóticas invasoras. A ampliação e qualificação da assistência técnica e extensão rural, com foco nas mudanças climáticas, é uma carência apontada que deve ser suprida para fortalecer a resiliência dos pecuaristas. Em suma, a percepção majoritária de um futuro desafiador reforça a necessidade de um diálogo fortalecido entre a comunidade acadêmica, o setor público, privado, organizações da sociedade civil e as comunidades produtoras para a construção coletiva de caminhos adaptativos.