Educação de Jovens e Adultos (EJA) representa um campo de estudos e um direito social, fundamental
para indivíduos que tiveram sua trajetória escolar interrompida. Nesse viés, essa pesquisa objetivou
investigar o impacto da Educação de Jovens e Adultos no cotidiano e na trajetória de vida de pessoas da terceira idade. Essa modalidade de ensino contribui para a reorganização de experiências, inclusão social e o exercício da cidadania, ou seja, impacto na vida de estudantes em idade de 50-59 anos. A metodologia
consistiu em pesquisa qualitativa, utilizando questionários e entrevistas com dois estudantes e uma docente do Instituto Estadual Arneldo Matter, localizado no município de São Borja, Rio Grande do Sul. Os
resultados evidenciam que o retorno à EJA é motivado pela reafirmação da dignidade e da subjetividade,
impulsionado pelo desejo de "realizar um sonho antigo" e buscar "confiança" e qualificação para o
"mercado de trabalho". As barreiras enfrentadas no passado foram de natureza eminentemente
socioeconômica, como o "trabalho precoce". Em termos de aprendizagem, os desafios pedagógicos são complexos, centrados na leitura e escrita e na gestão da saúde física e emocional dos alunos. Contudo, a análise aponta um alto potencial para a inclusão digital funcional, visto que 100% dos alunos usam celular e buscam aprender a "pagar contas", transformando a escola em um vetor de cidadania digital. Conclui-se que a EJA funciona como uma política de reparação que confere autonomia aos sujeitos, mas sua efetividade é constantemente limitada pela carência de infraestrutura adequada e tempo para planejamento
por parte do corpo docente.