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Esta dissertação apresenta uma investigação sobre as experiências, interações e participações de crianças com deficiência no cotidiano da Educação Infantil, a partir de uma abordagem etnográfica. Organizada em formato de três artigos, a pesquisa busca compreender como o brincar, as relações sociais e os contextos institucionais configuram modos de ser, estar e participar das crianças com deficiência na escola, reconhecendo-as como sujeitos ativos, produtores de cultura e significados. O primeiro artigo dedica-se ao estado do conhecimento sobre pesquisas etnográficas realizadas com crianças com deficiência, identificando tendências, lacunas e desdobramentos teórico-metodológicos do campo. A partir de Morosini, Santos e Bittencourt (2021), sistematiza-se a produção científica existente, destacando como essas investigações têm contribuído para ampliar debates sobre inclusão, diversidade e escuta das infâncias. O mapeamento evidencia a consolidação de uma perspectiva de pesquisa que reconhece as crianças como sujeitos históricos (Cohn, 2005), produtores de culturas (Corsaro, 2009) e de significados (Geertz, 1989). O segundo artigo discute as relações que emergem no brincar de crianças com deficiência, articulando conceitos de táticas cotidianas (Certeau, 1998) e cultura de pares (Corsaro, 2004). Com base em observação participante (Cohn, 2009) e registros em diário de campo, analisa-se como o brincar se constitui como espaço de invenção, negociação e construção de sentidos entre as crianças, revelando modos singulares de participação e agência no cotidiano da Educação Infantil. O terceiro artigo aborda a participação das crianças com deficiência em espaços intergeracionais, compreendendo a escola como território de relações entre diferentes gerações. Fundamentado no modelo social da deficiência (Moraes, 2010) e na concepção de infância como categoria geracional (Sarmento, 2008), o estudo discute como discursos adultocêntricos (Morales; Martínez Muñoz, 2023) tendem a reduzir a criança ao diagnóstico, ao mesmo tempo em que as práticas observadas evidenciam potências, táticas e criações infantis que desestabilizam tais concepções. As análises revelam que a deficiência emerge nas relações, como dimensão constituinte da experiência infantil, e não como falta. A dissertação apresenta ainda o produto educacional e uma reflexão sobre a saída de campo, articulando os aprendizados do percurso investigativo com possibilidades de formação docente e de práticas pedagógicas inclusivas. As discussões apontam para a importância de escutar as crianças, reconhecer suas formas próprias de participação e compreender a deficiência nas tramas relacionais do cotidiano escolar. Conclui-se que a pesquisa com crianças com deficiência exige deslocamentos epistemológicos e metodológicos, capazes de sustentar uma educação infantil inclusiva, plural e comprometida com a potência das infâncias. |
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