| dc.description.abstract |
A presente dissertação, intitulada “A sala de aula como território de acolhimento: um estudo sobre o desenvolvimento de práticas de letramentos de crianças migrantes venezuelanas”, investiga de que modo as práticas de letramentos, tal como discursivamente construídas e registradas no contexto institucional dos anos iniciais do Ensino Fundamental, configuram-se como estratégias de acolhimento linguístico e cultural de crianças migrantes venezuelanas em escolas públicas brasileiras. Fundamentada nos pressupostos dos Novos Estudos do Letramento (Street, 2014; Kleiman, 1995; Rojo, 2009) e na perspectiva da interculturalidade crítica (Walsh, 2009; Candau, 2016), a pesquisa compreende o Português como Língua de Acolhimento com Crianças (PLAcC) como prática social, política e afetiva, vinculada à promoção do pertencimento, da participação e da justiça linguística no espaço escolar. De abordagem qualitativa, a investigação assume caráter analítico-documental e interpretativo, tomando como corpus documentos pedagógicos, materiais didáticos, registros institucionais, compreendidos como produções discursivas que expressam concepções, orientações e práticas legitimadas no interior da instituição escolar. A análise dos dados orienta-se pela Análise de Conteúdo (Bardin, 2011), articulada ao referencial teórico dos letramentos como práticas sociais situadas, possibilitando a identificação de recorrências, categorias temáticas e sentidos atribuídos ao acolhimento linguístico e cultural no contexto da migração. Os resultados indicam que, embora os discursos pedagógicos reconheçam a importância do acolhimento de crianças migrantes, predominam concepções de letramento alinhadas a um modelo autônomo e monolíngue, revelando fragilidades na incorporação sistemática da diversidade linguística e cultural nos registros e materiais analisados. Ao mesmo tempo, emergem indícios de práticas que valorizam o uso do espanhol, a dimensão intercultural e o diálogo entre saberes, apontando possibilidades de ressignificação das práticas escolares. Conclui-se que o PLAcC deve ser compreendido como uma pedagogia de hospitalidade linguística, sustentada por uma ética da escuta, pela valorização das vozes migrantes e pela articulação entre políticas linguísticas, formação docente e práticas de letramentos socialmente situadas. Como desdobramento do estudo, propôs-se a elaboração do Produto Educacional que se constituiu em um aplicativo https://abre.ai/aventurasdepalavras educacional bilíngue, fundamentado nos achados da análise documental, voltado ao apoio às práticas pedagógicas descritas nos documentos institucionais de acolhimento linguístico e cultural de crianças migrantes nos anos iniciais do Ensino Fundamental. |
|