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A valorização de subprodutos agroindustriais tem se consolidado como estratégia essencial para o fortalecimento da economia circular e da sustentabilidade no sistema alimentar. Nesse contexto, o bagaço de uva (BU), principal resíduo sólido do processamento de uvas, destaca-se pelo elevado teor de fibras alimentares e compostos fenólicos com reconhecida atividade antioxidante e potencial funcional. O presente trabalho teve como objetivo explorar a utilização da farinha de BU por consumidores, investigando alimentos carreadores, direcionadores de compra, percepção de preço e uso doméstico do ingrediente. Inicialmente, quatro diferentes produtos (pão de forma, biscoito, barra de cereal e pão de queijo) foram avaliados quanto à atitude do consumidor e aceitação sensorial, em testes às cegas e informados. Técnicas projetivas foram empregadas para identificar motivadores de compra e expectativa de preço. Posteriormente, realizou-se teste de uso domiciliar com aplicação do método de diário durante 30 dias, permitindo a investigação do consumo em contexto real. Ainda, foi realizada atividade de extensão universitária para explorar o uso de BU no desenvolvimento de produtos.Os resultados demonstraram que a informação sobre a presença do BU impactou positivamente a aceitação global, especialmente em produtos previamente apreciados pelos consumidores. Saúde, curiosidade e novidade emergiram como principais direcionadores de compra, e o preço médio estimado para embalagem de 100 g foi de R$ 15,88. No uso doméstico, o lanche foi o principal momento de consumo, com predominância de aplicações em preparações salgadas, evocando emoções positivas e elevada aceitação hedônica. Na extensão universitária, foi observado o engajamento dos participantes, sendo os produtos desenvolvidos mais escolhidos com combinações da BU com outros ingredientes de origem vegetal (bolos, smoothies, doces cremosos de morango). As alegações de marketing foram em linha com aspectos de saudabilidade, sendo necessário explorar melhor aspectos de sustentabilidade. Os achados do presente trabalho evidenciam que a farinha de bagaço de uva apresenta alto potencial como ingrediente eco inovador, sendo bem aceita quando associada a alimentos compatíveis com sua proposta funcional. |
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