Resumo:
Os sistemas de plantas de cobertura influenciam diretamente a estrutura física do solo e sua capacidade de retenção de água. Este trabalho avaliou o efeito de três consórcios vegetais — Mix 1 (ervilhaca + aveia + centeio + nabo), Mix 2 (ervilhaca + tremoço + aveia + centeio + nabo) e Mix 3 (aveia + centeio + nabo) — comparados ao pousio (testemunha), sobre as propriedades físico-hídricas de um Latossolo Vermelho Distroférrico típico antecedendo a cultura do milho. Foram analisadas densidade do solo, porosidade total, umidade gravimétrica e volumétrica, além da produção de massa seca.
As amostras indeformadas foram coletadas em anéis metálicos (155,85 cm³) nas profundidades de 0–5, 5–10 e 10–15, 15–20 cm. As determinações físico-hídricas seguiram metodologias da Embrapa (2011). Verificou-se que Mix 2 e Mix 3 apresentaram os melhores resultados para qualidade física do solo, com redução da densidade e aumento expressivo da porosidade total, indicando maior descompactação biológica e formação de bioporos. Mix 1 e Mix 2 apresentaram os maiores valores de umidade gravimétrica e volumétrica, refletindo melhor retenção de água. A maior produção de massa seca ocorreu no Mix 2, demonstrando maior potencial de aporte de biomassa. Em contraste, o pousio apresentou os piores indicadores, com maior compactação, menor porosidade e menor capacidade de retenção hídrica. Os resultados confirmam que consórcios de plantas de cobertura, especialmente aqueles que combinam simultaneamente leguminosas, gramíneas e Brassicaceae, são estratégias eficientes para melhorar a qualidade física do solo antecedendo o cultivo do milho, favorecendo a infiltração, a retenção de água e a sustentabilidade produtiva em Latossolos do Noroeste do Rio Grande do Sul.