Resumo:
A presença de poluentes emergentes como os fármacos em corpos hídricos exige cada vez mais
o desenvolvimento de tecnologias de tratamento de baixo custo e sustentáveis. Nesse sentido,
a biossorção utilizando material vegetal entra como uma alternativa promissora. Dessa forma,
esse trabalho teve como objetivo avaliar a capacidade de biossorção da biomassa do musgo
Sphagnum perichaetiale Hampe para os antibióticos moxifloxacino (MOX) e tetraciclina
(TCC), além de testar a recuperação da biomassa após processo de biossorção e seu potencial
reuso. Os estudos foram conduzidos analisando as influências da granulometria e idade da
biomassa, dos pHs das soluções e o biocompósito natural. Os resultados demonstraram que a
eficiência da biossorção do musgo é comprometida diante da matriz aquosa: alta remoção
(64,06 ± 5,24%) de MOX observada em água destilada e diminuição para 7,69% quando
utilizado água da torneira. Isso indica uma provável inviabilidade técnica dessa biomassa para
aplicações nas estações de tratamento de águas (ETA). Para a TTC, a maior taxa de remoção
foi de 37,5 ± 10,08%, em ensaios com biomassa na granulometria de 0,062-0,125 mm e em pH
10, para água da torneira. O biocompósito natural obteve o melhor desempenho, para a TTC a
remoção foi de 46,16 ± 1,59% e dobrou a remoção do MOX (15,05± 0,69%) em água da
torneira. Contudo, o objetivo da recuperação da biomassa para reuso não foi alcançado. Isso
porque, após a biomassa ter sido seca, tornou-se um pó extremamente fino e em quantidade
ínfima, não sendo possível realizar os testes de dessorção. Dessa forma, é possível concluir que
o biocompósito natural é promissor e que a complexidade da matriz aquosa e a recuperação da
biomassa são desafios cruciais para a aplicação dos processos de biossorção em escala real.