A presente dissertação tem o objetivo de analisar a experiência narrativa da pesquisadora construída na relação com o Povo Mbyá-Guarani. O lócus da pesquisa é na Terra indígena Pindó Mirim, comunidade Mbyá-Guarani localizada no município de Viamão/RS. Os participantes da pesquisa foram três moradores da comunidade. Para contribuições teóricas ao estudo, elegemos intelectuais indígenas e não indígenas. A metodologia do trabalho se dará por meio da abordagem qualitativa e, como procedimento, assume-se a pesquisa narrativa, tendo como teóricos de referência Jean Clandinin e Michael Connelly. Dessa maneira, a produção de dados fundamentou-se no diário de campo, dos registros da narrativa da experiência. Os resultados da pesquisa evidenciaram: a) a diferença entre o tempo acadêmico e o tempo indígena, mostrando que enquanto a academia exige prazos e linearidade, o tempo do Mbyá-Guarani é espiritual, guiado pelo ritmo da comunidade; b) revelou tensões culturais que foram constitutivos da pesquisa, expondo os diferentes modos de aprender e de compreender o mundo; c) mostrou que a relação entre pesquisador-participante são constantemente negociadas, pois o indígena avalia o Juruá kuery antes de permitir sua presença na comunidade.