Esta pesquisa articula gênero, arte e literatura infantil na criação de práticas pedagógicas feministas voltadas ao empoderamento das meninas. Estrutura-se em dois estudos: Estudo 1: Desprincesoteca Digital – inventário de obras da literatura infantil brasileira dos últimos 10 anos que questionam os contos de fadas clássicos. Nessas obras, as protagonistas “antiprincesas” subvertem os discursos dominantes de gênero, raça e sexualidade. Foram analisadas vinte e três obras, investigando as pedagogias que elas propõem às crianças, constituindo-se a partir daí a Desprincesoteca Digital; Estudo 2: Experimentações poético-performáticas – A Cabana do Desprincesamento – foram realizadas oficinas performáticas de contação de histórias a partir da Desprincesoteca, prática desenvolvida em uma escola de São Leopoldo/RS, em outubro de 2024, envolvendo 140 crianças da educação infantil e a comunidade escolar. Os contos clássicos de princesas veiculam discursos patriarcais, racistas, homofóbicos e sexistas, enquanto as obras das antiprincesas contrapõem-se a estes discursos, oferecem outras possibilidades de ser menina. A Cabana do Desprincesamento foi recebida com curiosidade e interesse pela comunidade escolar. As antiprincesas provocaram estranhamento e encantamento. Ainda um tanto desconhecidas, sugerimos que sejam convidadas a passear pelos currículos escolares. O produto educacional elaborado a partir desta pesquisa, a Desprincesoteca Digital, pretende estimular a invenção de práticas na direção do questionamento de discursos estereotipados e do empoderamento das meninas.